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Infiltrar-se é uma arte.

domingo, 1 de junho de 2008

Na edição deste Domingo (31-05) do jornal O DIA sai uma extensa reportagem acerca de uma equipe deste jornal que infiltrou-se numa favela controlada por Milícia. Resumindo a história para quem não a conhece: após infiltrarem-se com algum sucesso por 2 semanas, foram delatados e capturados pelos milicianos. O que se seguiu, segundo os jornalistas, foi uma selvagem sessão de tortura, daquelas que o Cap. Nascimento aplicava nos viciados, traficantes e afins. Após a tortura, saquearam os bens pessoais dos jornalistas e os expulsaram da favela vivos. Mas os detalhes da ocorrência fazem a diferença, e, para conhecimento, sugiro que leiam a matéria.

Logo alardeou-se que a Milícia é pior que o tráfico, as condições de terror que vivem os moradores e outras coisas que não são novidades. Este Blog não pretende repetir esses argumentos. Vou apresentar algumas considerações pessoais, que faço apenas baseado no relato as vitimas: 

  1. As milícias não são pior do que o tráfico porque são formadas ou capitaneadas por pessoas que possuem nome, RG, endereço conhecido e porte de arma legalizado. Teoricamente são mais faceis de rastrear e puni-las;
  2. A relativa popularidade que a milicia goza em seus redutos tem a ver com a redução do nível de conflitos armados - a polícia não ataca estas comunidades porque lá, teoricamente, não há tráfico;
  3. Por último, afirmo: esta reação irada dos milicianos quando descobriram-se monitorados pela imprensa denota o recalque, o desprezo e a ojeriza que as Policias têm dos jornalistas. Em grau de inimizade, os jornalistas rivalizam com os viciados e os traficantes, por isto foram tratados como tais. Isto é grave e tem como causa o fato de que nossas autoridades policiais não gostam de ser fiscalizadas pela sociedade, não gostam de prestar contas publicamente e detestam que outros senão elas próprias opinem a respeito da Segurança Pública.

Enfim, definitivamente, não vale a pena uma pessoa de bem, com família, honesta, infiltrar-se para descobrir o que todos já sabem: a formação de bantustões, de quilombos modernos comandados por elementos pára-estatais.

Deu no jornal…

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Acadêmico inglês diz que os ricos têm QI mais alto

http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2008/05/22/academico_ingles_diz_que_os_ricos_tem_qi_mais_alto-429833667.asp

Publicada em 22/05/2008 às 13h00m

BBC

A pequena proporção de estudantes de classe média baixa em universidades renomadas é o “resultado natural de uma diferença de QI entre classes sociais”, afirma o acadêmico inglês Bruce Charlton na edição desta quinta-feira da revista especializada em educação Times Higher Education.

“O governo britânico gastou tempo e esforço em afirmar que as universidades, especialmente Oxford e Cambridge, estariam excluindo pessoas de classes sociais mais baixas e privilegiando as de classes mais altas”, disse o professor.

“No entanto, neste debate um fato vital foi esquecido: classes sociais mais altas têm uma média de QI maior do que as classes baixas”, afirmou Charlton em artigo publicado na revista.

Segundo o acadêmico, professor de psiquiatria evolutiva na Universidade de Newcastle, na Inglaterra, a dominação das classes altas é “natural” e uma questão de “mérito”.

“A distribuição desigual de classes observada em universidades renomadas, comparada com a população geral, dificilmente acontece devido a preconceito ou corrupção no processo de admissão. Ao contrário, o padrão observado é o resultado natural do mérito”, escreveu Charlton no artigo.

Críticas

A afirmação provocou reações no setor educacional no país. Em um comunicado, a União Nacional dos Estudantes (NUS, na sigla em inglês) afirmou que os argumentos de Charlton são “equivocados, irresponsáveis e insultantes”.

“Certamente a desigualdade social define a vida das pessoas antes mesmo de entrarem para a universidade, mas o setor de ensino superior não pode ser absolvido de sua responsabilidade de garantir que estudantes de todos os níveis sociais tenham a oportunidade de desenvolver seu potencial”, disse Gemma Tumelty, presidente da NUS.

Outra crítica, também publicada pela revista, foi do ministro do Ensino Superior Bill Rammell. Segundo ele, os argumentos de Bruce Charlton dão um tom de que “as pessoas devem saber seu lugar”.

“Apesar de muitos jovens pouco privilegiados conquistarem as qualificações para chegar ao ensino superior, eles ainda ficam atrás dos colegas mais privilegiados. Portanto, é vital que continuemos a preparar e apoiar os estudantes de maneira adequada para que cheguem à universidade”, disse o ministro à revista.

Robert Sternberg, diretor de artes e ciências da Universidade de Tufts, admitiu a relação entre o QI e a questão social, mas discorda da posição de Charlton.

“Certamente há uma correlação entre o QI e a classe social. Pessoas de classes mais altas têm vantagens educacionais, sociais e econômicas e as transmitem aos seus filhos”, disse ele.

Ao adotar o sistema que Charlton recomenda, afirmou, “garantimos que as classes mais altas continuarão a transmitir estas vantagens e iremos congelar aqueles de classes mais baixas”.

“Desta forma, criaremos profecias que se cumprem sozinhas”, disse Sternberg.

(Nota minha): - Pois bem. Concordo com quase tudo que o Sternberg disse. Não é mérito algum ser sorteado e nascer em uma família de classe com mais recursos. O sujeito bem alimentado, assistido em sua infância e freqüentador de bons colegios vai atingir mais pontos em testes pouco dinâmicos de QI. Resta saber: QI é tudo? Autistas e psicóticos podem possuir QI alto.

Aspectos sobrenaturais na Polícia Militar. (Parte I - S. Jorge)

domingo, 18 de maio de 2008

Imagem de S. Jorge no alojamento de praças do 6º BPM
Imagem de S. Jorge no alojamento dos praças do 6º BPM

Gostaria de saber se algum policial militar, daqueles que minimamente já labutaram nas ruas, se algum desses não possui alguma estória que contasse com algum elemento sobrenatural. Projeteis que não saem do cano da arma do marginal, “avisos” em forma de sonhos, premonições, superstições, etc. Creio que isso não seja aspecto exclusivo do policial brasileiro, pois, temos ate sitcoms americanos falando sobre o tema (Cold Case, por exemplo). Acima pus uma fotografia do singelo altar dedicado à S. Jorge, que aqui no Rio tem até feriado próprio, no alojamento dos praças do antigo batalhão. Tem outro altarzinho menor no outro alojamento deles e um outro deste porte da foto dentro da P-2. Além de S. Cosme e S. Damião no rancho dos praças. Fora os PPMM que exibem tatuagens, adesivos no carro, wallpaper do Nextel, e tudo mais a respeito do santo. É uma febre explicável pela poderoso apelo da imagem do Santo guerreiro. No sincretismo religioso do sul do país São Jorge é identificado como Ogum . Orixá guerreiro, padroeiro de, entre outras profissões, os militares. Canções compostas pelos fiéis, neste caso abaixo, Jorge Benjor, também ajudam na identificação dos militares com o Santo.

Jorge sentou praça na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem
Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal

Armas de fogo,meu corpo não alcançará
Espadas, facas e lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar
Cordas, correntes se arrebentem, sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge

Jorge é de Capadócia, viva Jorge
Jorge é de Capadócia, salve Jorge

Perseverança, ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor
Perseverança, ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor

Ogam toca pra ogum
Ogam toca pra ogum
Ogam,ogam toca pra ogum

Jorge é de Capadócia
Jorge é de Capadócia
Jorge é de Capadócia
Jorge é de Capadócia

É sonho de consumo de todo policial militar a invencibilidade física oferecida pela oração. S. Jorge já era venerado pelos cruzados, nas suas missões à Terra Santa.

Mas para mim, que não sou religioso, essa devoção toda tem mais a ver com coisas bem materiais. O Policial Militar de serviço, muitas vezes sente-se desprotegido por quem deveria lhe dar assistência: o seu comando. Muitas vezes posto em serviços desnecessariamente arriscados, em desvantagem numérica e de armamento. Também, muitas vezes, não tem fé na sua missão. Sabe que aquele baseamento onde se encontra, um restaurante, uma loja, um banco, não parecem ser prioridade na formação de uma “sensação de segurança” da população da área. A questão deixou de ser racional. Passou a ser de “bem” contra o “mal”.

Para mim, falta de garantias e perspectivas são o combustível dessa devoção. Só um santo para proteger quem é posto nessas situações de risco desnecessário.

Só S. Jorge para proteger-me.

Valhei-me S. Jorge

Mudanças - Fim do Silêncio - Opinião

sábado, 3 de maio de 2008

Caros (poucos) leitores:

Peço perdão pela quinzena que fiquei silencioso. Estava, e ainda estou, absurdamente ocupado. Mudei de endereço e batalhão (novamente) ao mesmo tempo. Embora eu estar aqui escrevendo, ainda me aguardam uma sindicância com prazo estourando, tarefas da faculdade e a revisão da monografia da pós-graduação.

Desculpas à parte, venho falar em três tópicos:

1. Mudei novamente de unidade. Agora estou no GEPE, grupamento subordinado ao Batalhão de Choque responsável pelo policiamento interno dos estádios. Recebi um convite do comandante do grupamento e prontamente aceitei. Gosto de trabalhar em unidades que têm um foco “diferente” ou especializado.

2. Venho repercutir tardiamente a opinião do SENASP, o Sr. Balestreri. Em entrevista ao Jornal O DIA, o Secretário insiste na ideia esquerdista, no mito, que “os chefões do tráfico” são da Elite. Inclusive disse que a PF deveria ficar no encalço destes. Ora, não conheço nenhum “chefão” preso até o momento, seja no Brasil, seja no exterior, que seja reconhecidamente membro de alguma Elite Social de fato. Nem o Abadia, dono de uma enorme fortuna, era freqüentador de círculos sociais fechados.

3. Com o gancho acima, finalizo esse breve post respondendo ao De Sousa com uma lista de :

10 Mitos esquerdistas acerca da segurança pública

  1. Os chefes do tráfico moram na VIEIRA SOUTO; (avisem ao 23º BPM e a 14ª DP, que eles vão lá e os prendem).
  2. Políticas de assistência social diminuem a violência; (já estamos no 6º ano do Bolsa Família e nada mudou).
  3. A culpa não é do usuário; (essa deixo pro Cap Nascimento comentar)
  4. Drogas são um problema de saúde pública; (mas a delinqüencia que as acompanham não é).
  5. Armas são responsáveis pelo alto número de homicídios; (e não o criminoso que a manuseia).
  6. O tráfico de drogas deve ser combatido com Policiamento Comunitário; (desde que o Policial use o equipamento de segurança necessário, armamento compatível com a missão, treinamento para tal missão… Ih, esse policial tá parecendo um caveira…).
  7. “Entra PAC, sai tráfico” (essa o Kibe Loco tem uma resposta melhor, clique aqui)
  8. Policiais corruptos devem ser exemplarmente punidos; (e também o corruptor, inadimplente com o IPVA, multas, etc…).
  9. Vivemos uma política de enfrentamento; (eu acho que vivemos uma política de sobrevivência).
  10. “Direitos humanos é coisa de polícia” ; (Eu prefiro: direitos humanos para humanos direitos).