Arquivo da Categoria ‘sobrenatural’

E o rato roeu…

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Recebi em minha caixa postal o seguinte release da assessoria de imprensa da SESEG:

“GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
SECRETARIA DE ESTADO DE SEGURANÇA
COORDENADORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

NOTA À IMPRENSA

SERVIÇO 190 JÁ ESTÁ REESTABELECIDO

Os técnicos da operadora OI, prestadora de serviços da Secretaria de Estado de Segurança (SESEG) solucionaram, às 13h50min, o problema que deixou fora do ar, desde às 1h de hoje, o sistema de comunicação do serviço de atendimento de emergência 190, da Polícia Militar. O rompimento do cabo de fibra ótica que deixou o serviço fora do ar foi provocado, provavelmente, pela ação de um rato que corroeu o cabo [sic] [grifo meu], que passa pelo subsolo do prédio da Central do Brasil, onde fica localizada a central do 190. Numa ação preventiva, os técnicos farão uma avaliação de todo o percurso da fibra ótica do sistema para detectar se há mais algum problema no cabeamento.”

O que tenho a dizer:
  1. “Corroeu o cabo” - Que eu saiba, saliva de rato não provoca corrosão;
  2. Numa instalação de fibra ótica séria (como deveria ser o caso da que serve ao 190) existem diversas maneiras de prevenir o nosso amigo roedor ROER o cabo. Mas todas mais caras do que simplesmente jogar o cabo como se fosse um varal de cordas;
  3. Algo de horripilante aconteceu com a baixa do 190? Que eu saiba, até agora não. Será que é mesmo um serviço imprescindível da maneira que atualmente está estruturado?

Um ótimo feriado a todos!

Aspectos sobrenaturais na Polícia Militar. (Parte I - S. Jorge)

domingo, 18 de maio de 2008

Imagem de S. Jorge no alojamento de praças do 6º BPM
Imagem de S. Jorge no alojamento dos praças do 6º BPM

Gostaria de saber se algum policial militar, daqueles que minimamente já labutaram nas ruas, se algum desses não possui alguma estória que contasse com algum elemento sobrenatural. Projeteis que não saem do cano da arma do marginal, “avisos” em forma de sonhos, premonições, superstições, etc. Creio que isso não seja aspecto exclusivo do policial brasileiro, pois, temos ate sitcoms americanos falando sobre o tema (Cold Case, por exemplo). Acima pus uma fotografia do singelo altar dedicado à S. Jorge, que aqui no Rio tem até feriado próprio, no alojamento dos praças do antigo batalhão. Tem outro altarzinho menor no outro alojamento deles e um outro deste porte da foto dentro da P-2. Além de S. Cosme e S. Damião no rancho dos praças. Fora os PPMM que exibem tatuagens, adesivos no carro, wallpaper do Nextel, e tudo mais a respeito do santo. É uma febre explicável pela poderoso apelo da imagem do Santo guerreiro. No sincretismo religioso do sul do país São Jorge é identificado como Ogum . Orixá guerreiro, padroeiro de, entre outras profissões, os militares. Canções compostas pelos fiéis, neste caso abaixo, Jorge Benjor, também ajudam na identificação dos militares com o Santo.

Jorge sentou praça na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem
Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal

Armas de fogo,meu corpo não alcançará
Espadas, facas e lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar
Cordas, correntes se arrebentem, sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge

Jorge é de Capadócia, viva Jorge
Jorge é de Capadócia, salve Jorge

Perseverança, ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor
Perseverança, ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor

Ogam toca pra ogum
Ogam toca pra ogum
Ogam,ogam toca pra ogum

Jorge é de Capadócia
Jorge é de Capadócia
Jorge é de Capadócia
Jorge é de Capadócia

É sonho de consumo de todo policial militar a invencibilidade física oferecida pela oração. S. Jorge já era venerado pelos cruzados, nas suas missões à Terra Santa.

Mas para mim, que não sou religioso, essa devoção toda tem mais a ver com coisas bem materiais. O Policial Militar de serviço, muitas vezes sente-se desprotegido por quem deveria lhe dar assistência: o seu comando. Muitas vezes posto em serviços desnecessariamente arriscados, em desvantagem numérica e de armamento. Também, muitas vezes, não tem fé na sua missão. Sabe que aquele baseamento onde se encontra, um restaurante, uma loja, um banco, não parecem ser prioridade na formação de uma “sensação de segurança” da população da área. A questão deixou de ser racional. Passou a ser de “bem” contra o “mal”.

Para mim, falta de garantias e perspectivas são o combustível dessa devoção. Só um santo para proteger quem é posto nessas situações de risco desnecessário.

Só S. Jorge para proteger-me.

Valhei-me S. Jorge