Arquivo da Categoria ‘Provocação’

Policiólogos

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Falar complicado sobre segurança pública ou qualquer outro tema já virou modismo entre os intelectuais. O amigo De Sousa criou um gerador de discursos policiólogos que demonstra que o discurso destes é mera combinação de jargões. Eu sou mais prático, aqui abaixo posto um vídeo que ensina a lidar com esses caras.

Escravos de Ganho

sábado, 26 de julho de 2008

Leiam abaixo esse trecho retirado da WIKIPEDIA, que define o que eram os “Escravos de Ganho” ou “Escravos ao ganho” no Brasil escravista:

“Os Escravos ao ganho eram escravos que, no período colonial e no Império, realizavam tarefas remuneradas, entregando ao senhor uma quota diária do pagamento recebido. Foi relativamente comum este tipo de escravo conseguir formar um pecúlio, que empregava na compra de sua liberdade, pagando ao senhor por sua alforria. Embora conhecida desde o século XVII nas áreas urbanas, na época do Império a prática foi mais controlada pelo estado, que concedia licença aos proprietários para o seu uso.”

Não nos lembra alguma coisa entre os Policiais Militares?

Aviso aos Navegantes da Nau à Deriva

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Que estes últimos acontecimentos sirvam de lição a nós, policiais militares. Vestimos azul, mas nao temos um “S” no peito. As mesmas autoridades que exigem “produtividade”, não pensam duas vezes em oferecer nossa cabeça à prêmio quando algo sai errado. A parcela da população que aplaude ocorrências com vítimas, não pensa duas vezes em acusar-nos de assassinos. Aos que diáriamente põem sua vida e liberdade em risco, existe o desprezo, desconfiança e preconceito como resposta.

E se os policiais tivessem morrido, para “riquezas alheias salvar”? Teríamos essa comoção toda?

Finalmente, todos nós fizemos exame psicotécnico e concurso público para entrar na PMERJ. Eu pergunto:

Para ser governador do estado, há concurso ou psicotécnico?
Para ser secretário de segurança, também?

Nós não somos débeis mentais. Nem os dois policiais militares que envolveram-se nessa tragédia.

Dedicação Exclusiva

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Venho provocar os colegas da Blogosfera Policial para debatermos sobre um assunto pertinente: seria ético um Policial trabalhar com segurança particular?

Sabemos que uma das características de nosso regime jurídico é a dedicação exclusiva. Ainda somamos a impossibilidade de um Policial Militar ser proprietário de uma empresa.

Acontece que com a nossa realidade de baixos salários, muitos colegas trabalham nas suas horas de folga (ou não) em empresas abertas no nome de seus dependentes ou parentes para complementar sua renda. Normalmente essas empresas estão na área de segurança. Dificilmente um Policial abre um armarinho ou um restaurante.

Alguns argumentos a favor do PM empresário:
- Complementa sua baixa renda honestamente;
- Oferece oportunidades para outros PPMM trabalharem;
- Demonstra a eficiência e visão gerencial do Militar.

Argumentos contrários:
- O PM dono de empresa de segurança está, sim, cometendo uma ilegalidade, burlando limitação legal de sua atribuição;
- Por serem empresas na maioria das vezes sem estrutura, os direitos trabalhistas e os proventos pagos aos empregados são precários;
- O PM normalmente age sua segurança na area que reside ou onde trabalha/trabalhou, o que pode ser considerado comercialmente como concorrência desleal.

Minha opinião:
- Não acho muito correto o PM ser titular de fato de uma empresa de segurança. Mas nas nossas circunstâncias salariais, não há como recriminar quem o faça.

Um abraço à todos!

Sobre natalidade e segurança pública

domingo, 6 de abril de 2008

Provocado (no bom sentido) pelo blog Abordagem Policial, venho discorrer sobre o tema do controle da natalidade e seus benefícios para a segurança pública. Se eu fosse escrever “à vera” sobre esse tema, exigiria-me uma ginástica intelectual desenvolvendo temas como moral, ética, religião, sistema legal… Alguma coisa passou pela minha cabeça para escrever sobre isso tudo mas não caberia produzir um texto com essas minúcias todas em um blog policial. Vou simplesmente expor minha opinião, tentando ser o mais direto possível:

Pobreza no Brasil, confunde-se com indignidade. Ainda não é possível ser pobre neste país e ter uma vida digna, no sentido de morar em um local legalizado, comer o necessário, ser atendido pelos sistemas de saúde e educação e tudo o mais. Outros países, o Estado ou fundações filantrópicas encarregam-se de oferecer oportunidades aos cidadãos, o que não acontece por aqui, onde o principal gargalo poderia dizer que é a educação pública, que não permite a ascensão social por meio do estudo daqueles mais pobres.

A revista Veja, recentemente, publicou uma pesquisa revelando quanto custa um filho. Deu a bagatela de 1,6 Mi de Reais. Ora, o que leva um casal que já vive em condições indignas trazer mais um pra sofrer nesse mundo? É lógico que muitas vezes essa gravidez é indesejada. Quando os demais métodos de controle da natalidade falham o resultado é apenas esse.

Voltando à Segurança Pública. Recentemente uma tese linkando aborto com redução de criminalidade foi publicada no badalado livro Freakonomics, do economista americano Steven Levitt, Philosophae Doctor em Economia pelo M.I.T. e, localmente amplificada pelo atual governador do RJ que, em um de seus primeiros atos de governo, implantou uma campanha de controle da gravidez na adolescência (para mim a melhor coisa que esse atual governo fez até agora). A tese de Levitt é que a legalização do aborto no estado americano de Nova York foi a principal causa da queda da criminalidade, não o reforço no policiamento, melhora na economia, etc.

Pessoalmente, eu desconfio quando um Ph.D. escreve um best-seller. Eu acho que trata-se do sujeito que pensando que sendo cientista, também seria rico. Quando o cientista sai do rigor dos artigos científicos e parte para escrever mera literatura, empresta sua credibilidade e de sua instituição formadora a uma peça escrita sem o rigor necessário para apresentar-se como verdade. Na filosofia, isso seria o abandono da epísteme para abraçar a doxa (se quiser aprender mais, leia aqui sobre esse assunto).

Ainda à favor daqueles que opõem-se ao aborto, existe o argumento que, em tempos idos, as mulheres tinham mais filhos, e, nem por isso, a sociedade era mais violenta.

Ora, já estou me arrependendo de ter começado a escrever sobre isso. Esse assunto permite um longo e sinuoso caminho de debate de ideias. Vou voltar ao meu objetivo inicial e ser sucinto:

  • Sou a favor da legalização do aborto e sua execução pela rede pública. Sou a favor da adoção por famílias homoafetivas. Sou a favor de uma política séria de controle da natalidade. Tenho uma posição liberal sobre temas morais. Oponho-me ferrenhamente que o Estado arvore-se guardião da moral, decidindo sobre questões de foro íntimo.

Legalização do aborto não é obrigação de Aborto. Adoção gay, não significa que teremos mais gays no mundo. Acho estranho que pessoas religiosas contrárias ao aborto, eventualmente usam camisinha ou tomam pílula - práticas também condenadas pelos clérigos. Nas minhas aulinhas de catequese, aprendi que não existem pecado, pecadinho e pecadão. Trata-se de coerência nesses casos.

Bem, acho que não fui esclarecedor o bastante sobre o tema, mas respondendo ao blog co-irmão, expus minha opinião. Mais adiante, posso escrever algo mais elaborado sobre o tema e publicar numa página à parte.