Semana corrida demais para mim. Já tinha um texto pré-escrito, o primeiro de uma série a respeito de aspectos sobrenaturais do cotidiano e serviço policiais-militares. Dessa vez, com esse assunto, mando o fiapo de credibilidade que tenho com meus 16 leitores para longe. Abortei (sem duplo sentido) justamente a publicação desta série por causa de algumas críticas honestas que recebi a respeito de ser inconclusivo no meu último texto. Ainda sou iniciante na arte de blogar, a escrita aqui precisa ser curta e concisa. Aos poucos devo melhorar. Hoje, vou deixar um pouco de ficção por aqui. Uma ótima semana à todos!
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Tenente Jabor assumiu o seu serviço no seu precinct em New Orleans, como de costume, num fim de semana daqueles preguiçosos e sem expectativas de maiores problemas. Fora avisado pelo seu Adjunto que havia pouco combustível no reservatório do batalhão. Imediatamente determinou ao homem que cuidava do abastecimento que deveria fazer um discreto racionamento de combustível entre as viaturas. A falta de combustível era devido ao fato do Estado da Lousiania não ter pago à distribuidora em tempo hábil a sua fatura. Quando adentra pelo pátio um carro descaracterizado, com placa do estado do Arkansas, dirigido por um senhor de meia-idade. Jabor observa de longe o mesmo chegando até a bomba de combustível e depois conversar e gesticular com o responsável pela bomba. Este vem a sua direção:
- Tenente.
- Pois não.
- Aquele senhor, naquele carro, identificou-se como funcionário do cerimonial do governador, e quer abastecer aqui.
- Amigo, eu lhe disse que deveríamos apenas abastecer viaturas operacionais de nossa unidade, ainda assim, racionando.
- Pois é, meu chefe, mas ele agora quer falar com o senhor. E ainda disse pra mim que quando o senhor soubesse de onde ele era, liberaria o combustível.
- Manda ele vir aqui.
Jabor voltou para seu gabinete climatizado, sentou, pegou um copo de água mineral ofereceu outro ao seu adjunto e abriu o jornal nos Classificados. O nepote aproximou-se:
- Bom dia, tenente.
- Bom dia (sem ao menos voltar os olhos ao comissionado).
- Olhe só, preciso de 20 litros para ir até Baton Rouge.
(Jabor irritou-se com tal insistência)
- Meu caro. Se eu te der 20 litros, vou ter que retirar 20 litros de uma viatura que atende ocorrencias policiais. Eu não vou deixar uma viatura policial parada para servir ao cerimonial do governador. Ainda mais que você pode abastecer no distrito ao lado, e não precisa de 20 litros para chegar até lá.
- Meu chefe, não estou dizendo que atender ocorrência não é importante. Eu estou dizendo que essa viatura é tão importante quanto as suas.
- Companheiro. Não vou ceder combustível para você. Já que você tem acesso ao Governador, diga a ele que estamos sem combustível. Já que estou sem gasolina, é justo que você fique sem também.
Foi quando o Adjunto, figura áspera do Oeste, sem papas na língua e observando o comportamento firme de seu comandante virou-se e disse:
- Mermão, não ouviu o chefe? Sai fora! Pode anotar o meu nome e RG. O problema e seu.
Desolado, pisando duro e com caneta e papel na mão o funcionário retira-se do gabinete, pega seu carro e sai do batalhão. Ali sua proximidade ao poder, depôs contra ele.