Arquivo da Categoria ‘Estória’

Escravos de Ganho

sábado, 26 de julho de 2008

Leiam abaixo esse trecho retirado da WIKIPEDIA, que define o que eram os “Escravos de Ganho” ou “Escravos ao ganho” no Brasil escravista:

“Os Escravos ao ganho eram escravos que, no período colonial e no Império, realizavam tarefas remuneradas, entregando ao senhor uma quota diária do pagamento recebido. Foi relativamente comum este tipo de escravo conseguir formar um pecúlio, que empregava na compra de sua liberdade, pagando ao senhor por sua alforria. Embora conhecida desde o século XVII nas áreas urbanas, na época do Império a prática foi mais controlada pelo estado, que concedia licença aos proprietários para o seu uso.”

Não nos lembra alguma coisa entre os Policiais Militares?

Ficção

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Todos diziam que se ela não fosse policial, poderia ser modelo. Roberta era alta, magra, pernas longas e uma beleza exótica e classuda. Porém, naquela noite, era mais uma policial escalada para conter os ânimos de uma torcida conhecida tanto por ser baderneira, tanto pelo caráter efeminado de seus membros.

Ao final do jogo, apesar do êxito do time da casa, a balbúrdia ameaçava instaurar-se nos arredores do estádio e Roberta, normalmente empregada na revista das torcedoras, estava ali ajudando a conduzir todos aos meios de transporte de massa. Foi quando um grupo destes provocava confusão com a torcida adversária:

- Os senhores poderiam dirigir-se á saída? Disse Roberta;
- IIHHHH! HAHAHAHAHAHAHAHA!!! Debocharam, continuando a desordem.
- Será possível que os senhores saiam por bem? Insistiu.
- Não vou não, porque? Em tom desafiador, um respondeu.

Roberta não intimidou-se. Com seu bastão policial fez empurra-lo em direção à saída do estádio. Com isto, o torcedor resolveu segurar o bastão dela. Sem opção, Roberta puxa o bastão de volta e lhe aplica uma pancada. O torcedor, com compleição física superior, parte para o revide e tenta segurar novamente o bastão de Roberta para enfrenta-la. Ela novamente puxa o bastão e surra o engraçadinho, que bate em retirada. Roberta, ignorando o fato dele estar em um grupo, vai atrás dele e segura-o pela camisa para encaminha-lo a quem de direito. Ninguém ousou enfrenta-la.

Na sala do juizado, o imbecil saca seu telefone em busca de contatos superiores a policial e gritava de maneira afetada para quem quisesse ouvir:

- Fui espancado! Fui espancado! Fui espancado pela policial Roberta!

Os presentes começaram a procurar com os olhos a tal Roberta, imaginando tratar-se de uma mulher do porte daquela nadadora medalhista acusada de doping. Foi quando Roberta, identificada pelo uniforme, adentrou a sala. Quando a platéia a reconheceu a reação foi unânime:

- IIHHHH! HAHAHAHAHAHAHAHA!!!

Este homem, mesmo com time dele ganhando, vai ser motivo de chacota por bastante tempo.

E o rato roeu…

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Recebi em minha caixa postal o seguinte release da assessoria de imprensa da SESEG:

“GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
SECRETARIA DE ESTADO DE SEGURANÇA
COORDENADORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

NOTA À IMPRENSA

SERVIÇO 190 JÁ ESTÁ REESTABELECIDO

Os técnicos da operadora OI, prestadora de serviços da Secretaria de Estado de Segurança (SESEG) solucionaram, às 13h50min, o problema que deixou fora do ar, desde às 1h de hoje, o sistema de comunicação do serviço de atendimento de emergência 190, da Polícia Militar. O rompimento do cabo de fibra ótica que deixou o serviço fora do ar foi provocado, provavelmente, pela ação de um rato que corroeu o cabo [sic] [grifo meu], que passa pelo subsolo do prédio da Central do Brasil, onde fica localizada a central do 190. Numa ação preventiva, os técnicos farão uma avaliação de todo o percurso da fibra ótica do sistema para detectar se há mais algum problema no cabeamento.”

O que tenho a dizer:
  1. “Corroeu o cabo” - Que eu saiba, saliva de rato não provoca corrosão;
  2. Numa instalação de fibra ótica séria (como deveria ser o caso da que serve ao 190) existem diversas maneiras de prevenir o nosso amigo roedor ROER o cabo. Mas todas mais caras do que simplesmente jogar o cabo como se fosse um varal de cordas;
  3. Algo de horripilante aconteceu com a baixa do 190? Que eu saiba, até agora não. Será que é mesmo um serviço imprescindível da maneira que atualmente está estruturado?

Um ótimo feriado a todos!

Mais uma estória

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Depois do estresse sofrido logo pela manhã, Tenente Jabor continuou o seu serviço como de costume. As horas passaram e a noite caiu. Depois da problemática troca de turno da noite (muitos policiais atingidos pelo Vírus do Oeste do Nilo) pode, enfim, descansar. Por volta da meia-noite, observou uma silhueta feminina, curvada, adentrando o precinct e dirigindo-se ao restaurante local. Estranhou o movimento, e, sorrateiramente foi ver do que se tratava.

Ao olhar para dentro da cozinha do restaurante, presenciou a seguinte cena: uma mendiga, já bem idosa, preparava uma matula com pães do café-da-manhã anterior, restos de arroz, feijão e carne assada do almoço e janta e algumas frutas que já estavam no limite do consumo. Depois disso, pôs-se a ajudar um dos funcionários a lavar as panelas e caçarolas do preparo da janta. Conversavam animadamente.

Então Jabor adentra o recinto:

- Me.. me… Meu chefe, boa noite… O Senhor necessita de algo?? - Disse o taifeiro
- Nada não. Só queria saber quem é a visita…
- Sou Maria das Dores. Eu ajudo o pessoal aqui e recolho alguma coisa de comer pra ajudar em casa. - Disse a senhora.
- A senhora está servida? - Perguntou Jabor.
- Sim senhor… Hoje tem até carne - Sorriu, mostrando poucos dentes.
- Que bom senhora. Sempre que precisar, pode vir pegar com a gente, ok? Mas agora vou precisar fechar aqui…
- Sim senhor, muito obrigada… -E retirou-se do local.

Após a senhora sair, Jabor questiona o seu funcionário:

- Há quanto tempo ela vem aqui? - Pergunta Jabor
- Meu chefe, faz tempo, mas não vem sempre.
- Por que?

O cozinheiro olha para um lado, para outro e responde com sinceridade:

- Tinha chefe que não gostava. E tinha chefe que não deixava nada para ela.

Jabor respondeu:

- No dia do meu serviço, ela pode receber o que precisar. Mas você deve empacotar e dar para ela ali na porta, está bem? Não cabe a senhora entrar aqui na penumbra. Além disso… Se você faz caridade, não peça para ela fazer parte do seu trabalho.
- Ah, sim senhor, me desculpe…
- Nenhum problema, uma boa noite…

O Tenente retira-se do local e apoia a sua cabeça no travesseiro. Questiona a si mesmo se deveria ter mais pena de quem a miséria escolheu… Ou de quem escolheu ser miserável.

Psicólogo de Dia

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Hoje, novamente, estou de serviço de Oficial de Dia. Descobri que além das minhas atribuições normais previstas pelo RISG, também devo funcionar como Psicólogo Ad-Hoc do público externo e interno. Recebi na parte da manhã um telefonema curioso que irei relatar:

- 6º Batalhão, Oficial de Dia, Tenente Barrim, bom dia.
- Bom dia, gostaria de fazer uma reclamação.
- Pois não, senhor, pode falar.
- Eu quero reclamar, porque no programa X da emissora X (estou omitindo propositalmente) ao apresentar uma ocorrência do seu batalhão, só apresentou um negro preso, so que foram outros 3 presos; não sei se é por causa da minha cor, porque eu sou negro, mas achei isso racismo por parte de vocês.
- Meu amigo, para te informar, eu sou branco, mas minha esposa é negra. Meus filhos serão negros. Também gostaria de lhe informar que o telefone correto para essa reclamação é o XXXX-XXXX da emissora.
- Mas perae, vocês só prenderam o negro.
- Não, meu caro, prendemos 4 meliantes. A televisão mostra o que quer, você deve saber que, recentemente, instauraram até um regime de “cotas” para a publicidade, senão o negro nao aparecia, você sabe, não é?
- Sim, eu sei.
- Pois é, o nosso último comandante geral era negro. Aliás, a PM do Rio de Janeiro costuma ter Comandantes Gerais negros.
- Mas é política…
- Sim, todo comandante geral é um cargo político pois é nomeado por indicação do governador. Me diga, já tivemos algum prefeito ou governador negro?
- Não.
- Pois é…
- Ah, eu vou dar uma passada aqui na Corregedoria, e você oriente os seus soldados a respeito disso.
- Pois não senhor, só lhe informo que a Corregedoria Interna não recebe queixa contra emissoras de TV.
- É mas… Mas…
- Mais alguma coisa senhor?
- Não…
- Tenha um bom dia, foi um prazer conversar com o Sr.