Sobre natalidade e segurança pública

Provocado (no bom sentido) pelo blog Abordagem Policial, venho discorrer sobre o tema do controle da natalidade e seus benefícios para a segurança pública. Se eu fosse escrever “à vera” sobre esse tema, exigiria-me uma ginástica intelectual desenvolvendo temas como moral, ética, religião, sistema legal… Alguma coisa passou pela minha cabeça para escrever sobre isso tudo mas não caberia produzir um texto com essas minúcias todas em um blog policial. Vou simplesmente expor minha opinião, tentando ser o mais direto possível:

Pobreza no Brasil, confunde-se com indignidade. Ainda não é possível ser pobre neste país e ter uma vida digna, no sentido de morar em um local legalizado, comer o necessário, ser atendido pelos sistemas de saúde e educação e tudo o mais. Outros países, o Estado ou fundações filantrópicas encarregam-se de oferecer oportunidades aos cidadãos, o que não acontece por aqui, onde o principal gargalo poderia dizer que é a educação pública, que não permite a ascensão social por meio do estudo daqueles mais pobres.

A revista Veja, recentemente, publicou uma pesquisa revelando quanto custa um filho. Deu a bagatela de 1,6 Mi de Reais. Ora, o que leva um casal que já vive em condições indignas trazer mais um pra sofrer nesse mundo? É lógico que muitas vezes essa gravidez é indesejada. Quando os demais métodos de controle da natalidade falham o resultado é apenas esse.

Voltando à Segurança Pública. Recentemente uma tese linkando aborto com redução de criminalidade foi publicada no badalado livro Freakonomics, do economista americano Steven Levitt, Philosophae Doctor em Economia pelo M.I.T. e, localmente amplificada pelo atual governador do RJ que, em um de seus primeiros atos de governo, implantou uma campanha de controle da gravidez na adolescência (para mim a melhor coisa que esse atual governo fez até agora). A tese de Levitt é que a legalização do aborto no estado americano de Nova York foi a principal causa da queda da criminalidade, não o reforço no policiamento, melhora na economia, etc.

Pessoalmente, eu desconfio quando um Ph.D. escreve um best-seller. Eu acho que trata-se do sujeito que pensando que sendo cientista, também seria rico. Quando o cientista sai do rigor dos artigos científicos e parte para escrever mera literatura, empresta sua credibilidade e de sua instituição formadora a uma peça escrita sem o rigor necessário para apresentar-se como verdade. Na filosofia, isso seria o abandono da epísteme para abraçar a doxa (se quiser aprender mais, leia aqui sobre esse assunto).

Ainda à favor daqueles que opõem-se ao aborto, existe o argumento que, em tempos idos, as mulheres tinham mais filhos, e, nem por isso, a sociedade era mais violenta.

Ora, já estou me arrependendo de ter começado a escrever sobre isso. Esse assunto permite um longo e sinuoso caminho de debate de ideias. Vou voltar ao meu objetivo inicial e ser sucinto:

  • Sou a favor da legalização do aborto e sua execução pela rede pública. Sou a favor da adoção por famílias homoafetivas. Sou a favor de uma política séria de controle da natalidade. Tenho uma posição liberal sobre temas morais. Oponho-me ferrenhamente que o Estado arvore-se guardião da moral, decidindo sobre questões de foro íntimo.

Legalização do aborto não é obrigação de Aborto. Adoção gay, não significa que teremos mais gays no mundo. Acho estranho que pessoas religiosas contrárias ao aborto, eventualmente usam camisinha ou tomam pílula - práticas também condenadas pelos clérigos. Nas minhas aulinhas de catequese, aprendi que não existem pecado, pecadinho e pecadão. Trata-se de coerência nesses casos.

Bem, acho que não fui esclarecedor o bastante sobre o tema, mas respondendo ao blog co-irmão, expus minha opinião. Mais adiante, posso escrever algo mais elaborado sobre o tema e publicar numa página à parte.

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