Agora é maré meia

Depois de devidamente apresentado na semana passada, hoje comecei a labutar no 6º BPM, que cobre a região da Grande Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Apesar de ser um bairro da zona norte do RJ, trata-se de um bairro povoado por pessoas de médio para alto poder aquisitivo. É uma região tradicional da cidade, a qual os moradores da área afirmam ser a “a zona sul da zona norte”.

E, sim, o paradigma do policiamento da Z. Sul da cidade repete-se no 6º BPM. A região da Tijuca é permeada por favelas de pequeno, médio e grande porte. Algumas, mais tranqüilas, outras mais perigosas como a comunidade do Morro do Macaco, atualmente “gerida” pela facção criminosa ADA. Ainda assim, nada comparável ao Complexo do Alemão, Maré ou a Rocinha.

Nesta segunda-feira, dia 31 de março, fui escalado no serviço de oficial-de-dia, ou seja, o oficial que fica dentro do batalhão e fiscaliza as faltas e atrasos no policiamento, monitora o aquartelamento, entre outras atividades. Nessas 24h de plantão tive contato com os moradores da área do batalhão que não se furtam a ligar para a unidade e reclamar da falta de policiamento aqui e ali. Logicamente expliquei para todos que o “cobertor é curto”, que “o policiamento é dinâmico” e orientei que registrassem as ocorrências e as enviassem para o BPM via email, preferencialmente acompanhadas do número de registro da ocorrência na Delegacia de Policia Civil.

O que acontece: como um comandante ensinou-me, o cidadão, na maioria das vezes, deseja que o Policial Militar esteja presente NO EXATO MOMENTO da ocorrência. Ou seja, no momento da abordagem do meliante, num roubo a veículo, por exemplo. Isso é o que pior pode acontecer, pois o meliante, nesses casos, tende a reagir ou tomar a vítima como refém. O que poderia ser a subtração de um celular, uma bolsa ou um cordão pode virar uma ocorrência dramática ou com fim trágico, pois o bandido não tem nada a perder, não tem compromisso com a vida humana alheia e nem está interessado em ir (ou voltar) ao sistema penitenciário.

A missão da Policia Militar é prevenir, ou seja, patrulhar as ruas da cidade, vigiar pontos críticos através de policiamento fixo, inibir a criminalidade através da ostensividade. Prender o marginal após o crime executado é missão da Policia Civil. É importante que o cidadão registre o crime, ainda que a rés furtiva seja pequena, uma mochila, um óculos, uma bolsa. Todo o planejamento policial depende das manchas criminais registradas pelo número de ocorrências registradas nas Delegacias Policiais. É importante que o cidadão de bem e cumpridor de seus deveres, também se informe acerca do funcionamento do sistema de segurança pública. O simples pagamento de impostos não encerra a responsabilidade de todos acerca da segurança pública (CRFB , Artº 144). Se o Sr. ou Sra. é síndico(a) de um condomínio, comerciante ou simplesmente é ativista em segurança pública, saiba que: traz mais resultado registrar suas ocorrências e orientar os amigos e vizinhos a fazerem o mesmo do que ligar para o batalhão da área. Ainda assim, podem ligar à vontade, a Polícia Militar do Rio de Janeiro tem o maior prazer em lhe ouvir.

CARLOS HENRIQUE CARVALHO BARRIM
1º TENENTE PM - ESPECIALISTA EM SEGURANÇA PÚBLICA

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